
A Escola Nossa Senhora da Conceição, em Icoaraci, recebeu uma nova etapa da ação “Proteger é Cuidar das Crianças”, iniciativa desenvolvida pelo Coletivo Futuro Brilhante com foco na prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes. Durante quatro horas de programação, crianças e seus familiares participaram de atividades educativas e momentos de diálogo sobre proteção, direitos, limites corporais e formas de buscar ajuda.
Realizada das 8h às 12h, a atividade reuniu integrantes do Futuro Brilhante, representantes de instituições públicas e privadas, estudantes universitários e membros de ligas acadêmicas. A iniciativa contou com o apoio do SEST SENAT, Laboratório Paulo Azevedo, Núcleo de Prática Jurídica da Estácio Belém, Defensoria Pública de Icoaraci e das ligas acadêmicas LATOI, LATONI e LAPHOS.
A ação integra o calendário de atividades do segundo semestre de 2026 e conta com a parceria da DRE-10 da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC), responsável pela articulação com as unidades escolares participantes.
Aprender sobre proteção também pode ser uma brincadeira
Com as crianças, a programação foi organizada a partir de recursos lúdicos desenvolvidos pelo próprio Coletivo Futuro Brilhante. A estratégia procura transformar temas que podem ser complexos em experiências compreensíveis e adequadas à idade dos participantes.
Entre as atividades realizadas estiveram a Luva da Proteção, o Semáforo do Toque e a Trilha da Proteção, além de momentos de música, pintura e outras brincadeiras educativas.
Na Luva da Proteção, as crianças são estimuladas a reconhecer as diferentes partes do corpo e a compreender que o próprio corpo possui limites que devem ser respeitados. A atividade também contribui para a utilização adequada dos nomes das partes do corpo, favorecendo uma comunicação mais clara quando a criança precisar relatar uma situação que tenha causado desconforto ou preocupação.
O Semáforo do Toque apresenta diferentes situações envolvendo contato físico e ajuda os participantes a refletirem sobre limites, consentimento, desconforto e necessidade de procurar ajuda. A atividade permite abordar situações de proteção de maneira visual e participativa.
Já a Trilha da Proteção utiliza um jogo de tabuleiro para apresentar questões relacionadas aos direitos das crianças, aos limites corporais, à identificação de situações de risco e às possibilidades de proteção. Ao longo da atividade, os participantes são convidados a responder perguntas e discutir situações hipotéticas adequadas à sua faixa etária.
As ferramentas utilizadas têm como objetivo ampliar o conhecimento das crianças sobre seus direitos e fortalecer habilidades de autoproteção. A proposta, entretanto, não transfere para a criança a responsabilidade pela prevenção ou pela interrupção de uma situação de violência. A proteção é compreendida como uma responsabilidade compartilhada entre família, comunidade, instituições e sociedade.
Adultos discutem como reconhecer e enfrentar situações de violência
Enquanto as crianças participavam das atividades recreativas e educativas, familiares e outros adultos responsáveis participaram de uma programação específica.
A roda de conversa foi estruturada a partir de situações hipotéticas relacionadas a possíveis violações de direitos. Divididos em grupos, os participantes analisaram os casos apresentados e discutiram questões como a identificação de sinais de alerta, as atitudes que poderiam ser adotadas e os caminhos que poderiam ser procurados diante de uma suspeita.
A metodologia procurou aproximar o tema da realidade cotidiana das famílias. Mais do que apresentar informações teóricas, a atividade estimulou os participantes a refletirem sobre como reagiriam diante de uma situação concreta envolvendo uma criança ou adolescente.
Entre os aspectos trabalhados esteve a importância de oferecer um ambiente seguro para que crianças possam falar quando alguma situação lhes causar medo, desconforto ou insegurança. Também foi discutida a necessidade de que os adultos saibam ouvir, acolher e encaminhar adequadamente uma situação de suspeita, evitando respostas que possam aumentar o sofrimento ou dificultar a busca por proteção.
A participação dos familiares reforça uma das premissas da iniciativa: a prevenção não deve se limitar ao ambiente escolar ou às atividades destinadas diretamente às crianças. A construção de ambientes mais seguros depende também da preparação dos adultos que convivem diariamente com elas.
Ação reúne diferentes áreas do conhecimento
A atividade na Escola Nossa Senhora da Conceição também foi marcada pela participação conjunta de profissionais, estudantes e voluntários de diferentes áreas.
Pelo Coletivo Futuro Brilhante, participaram Ana Vitória, Diego Flexa, Diego Martins, Geovane Fonseca, Ivety Magno, Jeovana Silva, Maria Clara, Márcio Ferreira, Monique Loma, Laura Rolim, Pedro Fernandes e Rebecca Nahman.
Também estiveram envolvidos representantes do SEST SENAT, Laboratório Paulo Azevedo, Núcleo de Prática Jurídica da Estácio Belém, Defensoria Pública de Icoaraci e das ligas acadêmicas LATOI, LATONI e LAPHOS.
A presença de diferentes instituições e áreas profissionais permite que a prevenção seja trabalhada a partir de perspectivas complementares. Educação, saúde, assistência, direito e demais setores que integram ou dialogam com a rede de proteção possuem responsabilidades específicas na garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
Para o Futuro Brilhante, a mobilização de diferentes atores também contribui para aproximar o conhecimento produzido nas universidades e nos serviços das comunidades escolares.
Materiais escolares são entregues às crianças
A ação também contou com uma iniciativa de apoio material às crianças participantes. Ao final da programação, foram distribuídos materiais escolares arrecadados por meio da campanha promovida pelo Coletivo Futuro Brilhante.
A mobilização permanece aberta para viabilizar as próximas atividades. Entre os materiais necessários estão cadernos de capa dura, com 96 folhas, tamanho grande, sem arame ou estampas; lápis de cor com 12 cores; canetas hidrocor com 12 cores; giz de cera com 12 cores; lápis preto; apontador com depósito; e borracha branca.
Também são aceitas contribuições financeiras de qualquer valor.
Pix: [email protected] (Nubank)
Para combinar a entrega de materiais, os interessados podem entrar em contato pelo WhatsApp (91) 99200-7685.
A campanha permite que pessoas que não participam diretamente das atividades também contribuam para sua realização. As doações auxiliam na preparação dos materiais utilizados nas ações educativas e na composição dos kits entregues às crianças.
Programação continua em outubro e novembro
A atividade na Escola Nossa Senhora da Conceição foi a segunda etapa do calendário “Proteger é Cuidar das Crianças” para o segundo semestre de 2026. A programação teve início em 29 de agosto, com uma ação realizada na EEEF Prof. Guajarina de Souza Silva.
Ainda estão previstas duas atividades:
17 de outubro de 2026 - EEEF São João Batista - Icoaraci - 8h às 12h
14 de novembro de 2026 - EEEF Franklin de Menezes - Outeiro - 8h às 12h
A continuidade da programação depende da participação de voluntários, instituições parceiras e apoiadores, que contribuem para a realização das atividades e para a mobilização dos recursos necessários.
A proposta do Futuro Brilhante é desenvolver ações de prevenção de forma contínua, levando às comunidades escolares informações que auxiliem crianças a conhecer seus direitos e adultos a reconhecer situações que possam representar risco ou violação.
Nesse sentido, as atividades realizadas nas escolas fazem parte de uma estratégia mais ampla de educação para a proteção. A intenção é estimular uma cultura na qual crianças tenham conhecimento sobre seus direitos, disponham de adultos de confiança e encontrem ambientes preparados para escutá-las, acolhê-las e encaminhar situações de violência para os serviços responsáveis.
Mais informações sobre o trabalho do Coletivo Futuro Brilhante:
WhatsApp: (91) 99200-7685
Instagram: @futuro.brilhante
Site: futurobrilhante.org
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