
A auditora do Tribunal de Contas do Estado do Pará e ex-delegada da Polícia Federal, Erika Sabino, teve um vídeo compartilhado nas redes sociais nesta sexta-feira (17) pela apresentadora Xuxa Meneghel. A publicação contribuiu para ampliar o debate sobre violência sexual contra crianças no Brasil.
No vídeo, Erika comenta um caso envolvendo o ex-senador Manoel Alencar Neto, condenado em 2017 por abuso sexual contra duas crianças, de 6 e 9 anos. As vítimas eram filhas de um caseiro que trabalhava em uma propriedade do então parlamentar. O caso ganhou notoriedade à época pela forma como as provas foram obtidas: desconfiado, o pai das crianças vendeu galinhas para adquirir um celular e conseguir registrar os abusos.
O tema voltou à discussão após a Justiça de Guaraí expedir, no último dia 10 de abril, um mandado de prisão contra o ex-senador, após o trânsito em julgado da condenação. Até então, ele respondia em liberdade. Mesmo com a decisão, o mandado ainda aparecia como pendente nos sistemas oficiais nos dias subsequentes.
Com experiência no combate a crimes de pedofilia durante sua atuação na Polícia Federal, Erika utiliza o caso para reforçar um alerta recorrente: a violência contra crianças e mulheres, na maioria das vezes, começa de forma silenciosa. Segundo ela, o abuso costuma se desenvolver de maneira gradual, muitas vezes encoberto por comportamentos socialmente naturalizados, o que dificulta sua identificação precoce.
O compartilhamento feito por Xuxa, figura historicamente ligada à defesa dos direitos das crianças, ajudou a dar maior visibilidade ao tema. Para Erika, esse tipo de alcance contribui para ampliar o debate e estimular a conscientização.
“Fico feliz porque a Xuxa faz parte da minha infância e é uma voz importante nesse debate que precisa incomodar. Quantos crimes seguem invisíveis por falta de escuta, estrutura ou coragem para denunciar? Precisamos de mais vozes nessa luta”, declarou.
Mais do que relembrar um caso de grande impacto, o vídeo cumpre um papel de conscientização ao destacar a importância da atenção aos sinais iniciais de violência. A mensagem central reforça que o enfrentamento desses crimes passa por prevenção, informação e fortalecimento dos mecanismos de denúncia.
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