
No próximo dia 12 de agosto, o mestre de carimbó Onival Melo de Figueiredo, conhecido como Mestre Onival, comemora 70 anos de vida. Mais do que celebrar uma data especial, a ocasião marca uma trajetória construída com dedicação à música, à valorização das tradições amazônicas e à preservação da identidade cultural do Pará.
Natural de Cametá, Mestre Onival descobriu ainda na adolescência sua paixão pelos ritmos tradicionais da região. Aos 14 anos, integrou seu primeiro grupo de Samba de Cacete, o bloco Os Mascarados, que animava o tradicional Carnaval das Águas, na Ilha do Paquetá. No mesmo período, teve a oportunidade de tocar ao lado do lendário Mestre Verequete durante as festividades de Nossa Senhora do Rosário, experiência que marcou definitivamente sua caminhada artística.
Ao longo das décadas, tornou-se um dos principais defensores do banguê, ritmo que faz parte das raízes da música paraense e que hoje é pouco conhecido pelas novas gerações. Integrante do tradicional grupo Vai Com Jeito, também dedicou sua vida a ensinar crianças e jovens das comunidades, transmitindo conhecimentos musicais e fortalecendo as manifestações culturais do Baixo Tocantins. Em 1979, recebeu seu primeiro banjo das mãos do luthier Antônio Viana e fundou o grupo de banguê Ituá, que até hoje mantém viva a tradição das festividades religiosas em Limoeiro do Ajuru.
Cultura como missão de vida
Movido pelo desejo de resgatar e fortalecer as raízes culturais da região, Mestre Onival criou, em 2017, o Grupo Parafolclórico Tarumã. Inspirado na árvore símbolo da Amazônia, o grupo nasceu com a missão de preservar ritmos como o carimbó e o banguê, contar histórias do povo amazônico e despertar nas novas gerações o orgulho por suas origens.
Desde então, o Tarumã conquistou reconhecimento estadual, participando de programas como É do Pará, Jornal Liberal e TV Cultura, além de grandes eventos, entre eles o Arraial de Todos os Santos, no CENTUR, e o tradicional Festival do Açaí de Limoeiro do Ajuru. Paralelamente às apresentações, o grupo realiza palestras, oficinas e cursos voltados à construção artesanal de instrumentos musicais e à preservação ambiental, utilizando a música como ferramenta de educação e transformação social.
Reconhecimento por uma trajetória exemplar
O trabalho desenvolvido por Mestre Onival ultrapassa os palcos. Com 49 obras musicais registradas, o compositor aborda em suas canções temas ligados à cultura popular, à religiosidade e à preservação da natureza, reforçando a identidade amazônica e o orgulho das tradições paraenses.
Nos últimos anos, sua dedicação recebeu importantes reconhecimentos. Em 2024, venceu o concurso Canta Limoeiro com a composição Romeiro de Nazaré e produziu, por meio da Lei Paulo Gustavo, o documentário Na Raiz do Movimento, que destaca a importância da preservação ambiental por meio da cultura. Já em 2025, foi oficialmente reconhecido pela Ordem dos Músicos do Brasil como Mestre Instrumentista, cantor e compositor, além de receber a premiação destinada aos Mestres e Mestras da Cultura do Pará, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
Sete décadas de legado
Ao completar 70 anos, Mestre Onival celebra uma vida marcada pelo compromisso com a cultura popular. Seu legado vai além das composições e apresentações: está presente na formação de novos artistas, na valorização das tradições do Baixo Tocantins e no fortalecimento da identidade cultural paraense.
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